Por que estou trocando café por chiclete
(uma confissão de runner)
Tem uma coisa que eu nunca contei publicamente sobre os meus 14 anos correndo: eu tenho azia crônica.
Não é dramático. É chato. Toda corrida acima de 12km, eu sentia queimação. Toda prova longa, eu carregava antiácido na pochete. Toda manhã antes de treino, eu pulava o café — porque o café é exatamente o que mais piora o azia em corredor.
Mas sem café, eu não rendo. E pré-treino em pó, mesmo do bom, me dava aquela sensação de "estômago carregado" que ninguém quer no quilômetro 5.
Por dois anos eu testei tudo. Cafeína em cápsula (lenta, ~30 min). Café preto coado em casa (mesma queimação). Energético light (açúcar disfarçado, crash). Pré-treino com beta-alanina (formigamento que distrai).
"A mucosa bucal — o tecido que reveste a sua boca por dentro — absorve substâncias direto pra corrente sanguínea, sem passar pelo estômago. É 6x mais rápido. É exatamente o mecanismo de remédios sublinguais e gomas pra parar de fumar."
Cafeína pela mucosa bucal entra no sangue em 4-6 minutos. Pelo estômago, 25-30 minutos. Diferença prática: efeito chega no aquecimento, não no quilômetro 3.
Tinha um problema só. Em 2023 não existia chiclete energético no Brasil. Existiam balas com cafeína, importadas, caras, e raras as marcas decentes.
Decidi fazer.
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